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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

27.Nov.18

#thisisnotconsent

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Certamente que se aperceberam das fotos de roupa interior feminina que foram surgindo, ao longo dos últimos tempos, nas redes sociais como forma de protesto. Para aqueles que não estão a par, deixo-vos aqui todo o contexto.

São histórias como esta que me revoltam as entranhas. Como é que, em 2018, ainda continuamos a ter esta discussão sobre o que uma mulher deve ou não vestir e que direitos é que isso dá a outra pessoa?! Álaber uma coisa, cada pessoa pode e deve vestir extamente aquilo que quiser, quando quiser, desde que não infrinja nenhuma lei, e nunca, em momento algum, "está a pedir" o que quer que seja. Achei que, a esta altura, já estávamos todos cientes disto. Mas ao que parece não. E usar roupa interior rendada ou mais decotada é, aparentemente, demonstração de consentimento. Say whaaaaat?!

Como é que isto pode fazer sentido a alguém? Como é que este pode ser o argumento usado no julgamento de um violador de uma miúda (repito: mi-ú-da) de 17 anos?!

Eu admito que, individualmente, sou uma pessoa muito pouco preocupada com potenciais perigos, talvez demais até. Não me inibo de vestir o que me apetece ou de andar sozinha na rua a que horas for. Não me desvio para o outro lado do passeio quando me cruzo com um homem bêbedo, já noite cerrada. Não me inibo de apanhar boleia de pessoas que conheço menos bem. Não faço nada disto, seja por ingenuidade em acreditar que nos respeitamos mutuamente, seja por nunca me ter visto numa situação mais complicada. Eu não o faço e a verdade é que nunca senti necessidade de o fazer. E ninguém deveria ter de o fazer. Ninguém deveria ter de repensar a roupa interior, o caminho a percorrer ou o que quer que fosse por medo.

E nada, mesmo nada, deve ser confundido com consentimento. Não há consentimento só porque a pessoa usa um decote, uma mini-saia ou umas cuecas de renda. Não há consentimento só porque a pessoa está demasiado bêbeda para dizer que não. Não há consentimento quando a pessoa deixa de gritar por ajuda ou de lutar. Nada disto é consentimento. 

E é lamentável que o suicído de uma miúda de 17 anos sirva para nos relembrar a todos disto.

Estamos em 2018. Temos carros elétricos e autónomos. Podemos encomendar comida a partir do nosso telemóvel. Aterramos na Lua. Enviámos sondas para Marte e além Via Láctea. Como é que isto ainda é uma discussão?!

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