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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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Devaneios sobre tudo e sobre nada.

28.Nov.18

Sobre esta coisa do artigo 13

Não sei se estão a par, mas na segunda-feira o mundo (virtual) caiu com o mais recente vídeo do Wuant, que podem ver aqui, sobre o artigo 13 e as implicações nas redes sociais. Só me apercebi mesmo ao final do dia quando vi youtubers, instagrammers e tuditudi a partilhar o vídeo como uma espécie de presságio do fim do mundo, alarmadíssimos com o fim da Internet.

Vi, pela primeira vez, um vídeo do Wuant. Já tinha ouvido falar daquele que é, afinal de contas, o maior youtuber português, mas a verdade é que nunca tinha visto nada dele e percebi, claramente, o motivo de tanto sucesso. Álaber uma coisa, o público-alvo do Wuant são miúdos e criar um vídeo denominado "o meu canal vai ser apagado" é o equivalente a ter milhares de visualizações de miúdos alarmados. Foi precisamente isso que aconteceu, só que o alarmismo estendeu-se a graúdos também, que decidiram adotar a perspetiva do Wuant, sem antes pesquisarem sobre o assunto.

E é sobre isto que quero falar hoje, sobre a Internet como um meio de desinformação. Acho super útil a facilidade com que podemos aceder a informação atualmente. Sempre que tenho uma dúvida ou sinto que quero saber mais sobre um assunto, à distância de um clique fico, na maior parte das vezes, esclarecida, posso é ter de ler e pesquisar mais ou menos, dependendo da matéria. E é também para isto que uso as redes sociais. Vi o vídeo do Wuant e fui pesquisar sobre isto do artigo 13 e possíveis implicações na Internet como a conhecemos. A verdade é que nunca tinha ouvido falar sobre esta questão e achei, genuinamente, que, se estivesse em causa uma alteração tão grande ao funcionamento da Internet e das próprias redes sociais, já teria ouvido falar sobre isto, seja nos meios de comunicação convencionais ou não. 

E, surpresa das surpresas, encontro uma declaração da própria da Comissão Europeia sobre o assunto, disponível aqui, especialmente dirigida aos criadores de conteúdo. Eu entendo que os direitos de autor sejam muiiiiiiiiito mais difíceis de controlar na era digital, porque qualquer coisa que seja publicada em qualquer recanto da Internet é passível de ser recuperada e quiçá usada por outra pessoa. Talvez o exemplo mais visível que temos disto sejam os direitos de autor das músicas, mas pensemos que, também as fotos de viagens são frequentemente utilizadas por terceiros para promoverem o seu próprio canal de comunicação. E é importante proteger isto, é importante proteger quem cria sobre quem copia. E obviamente que as implicações disso no meio digital são diferentes das dos meios tradicionais. Portanto, o princípio do artigo 13 é excelente, a forma como vai ser implementado é que ainda me parece altamente indefinida, sobretudo porque este tópico ainda está em discussão na Comissão Europeia e o que está disponível é um primeiro draft da proposta de Diretiva Europeia.

A modos que me parece que nos devemos todos acalmar com isto. Acredito que vão haver algumas alterações e tenho receio que condicionem os conteúdos a que posso aceder, considerando que sou ávida consumidora de conteúdos produzidos fora da UE, mas, como em tudo, há um período de ajustamento e também havemos de conseguir viver com isso. 

Agora, o que me parece é que devemos refletir sobre os assuntos, pesquisar e criar a nossa própria opinião, fundamentada e assente em factos. E sobre isto o Diário de Notícias também fez uma ótima peça, que podem ver aqui. Mais do que usar as redes e a informação a que temos acesso para adotar uma opinião e perspetiva, devemos sim usá-las para criar uma opinião, criar uma perspetiva. E é importante repensar sobre estes artigos sensacionalistas, que esta coisa de pensar por nós é cada vez mais rara, mas super valiosa.

Portanto digam-me lá, qual é a vossa opinião sobre isto?