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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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Devaneios sobre tudo e sobre nada.

29.Nov.18

Então e o que é se aprende em conferências de RH?

Depois de uma semana de imersão num curso executivo para lá de espetacular (do qual também falarei em breve), fui, ontem, a mais uma conferência sobre a gestão de recursos humanos, mais especificamente no que refere ao papel das soft skills na gestão e liderança de pessoas e, provavelmente, quando estiverem a ler isto, estarei já a caminho de outra, ainda que com uma premissa diferente.

Mas então e o que é que se aprende nas conferências da especialidade? Porque é que há uma imensidão de conferências e seminários de RH? Acredito que haja de outras áreas também, perdoem-me, mas que vou só falar da realidade que, efetivamente, conheço. Ora, desde logo, considerando que estão em causa as pessoas e que estas têm particularidades distintas, seria de esperar que não houvesse uma fórmula one size fits all.

No entanto é isso que nos é passado em tooooooooooodas as conferências / seminários a que já fui sobre este assunto. O discurso é (quase) sempre politicamente correto, diretamente tirado de um livro sobre as melhores práticas de RH, mas que todos sabemos que nem sempre são possíveis de se realizar, seja pelo contexto, seja pelas próprias pessoas (do líder à equipa). A única altura em que pude ouvir um orador expressar a realidade nua e crua dos problemas das organizações e como é que, naquela organização em específico, lidavam com essas matérias, com exemplos práticos e concretos (coisa rara em eventos deste tipo), foi ver todos os outros oradores a remexerem-se nas cadeiras e a contraporem que tais políticas não são ajustadas à realidade organizacional que conhecem. Mas I mean, essa é a parte boa não é? Ouvirmos o que os outros fazem, como lidam com os problemas e aprender com isso, ajustar isso à nossa realidade. Por algum motivo não é isto que se passa nos seminários ou conferências a que tenho tido a possibilidade de ir.

Não me interpretem mal. Aprendo sempre muito e há partilhas verdadeiramente interessantes, só gostava que fossem um bocadinho mais cruas. E dou-vos um exemplo muito prático. Ontem, o orador que mais gostei de ouvir falar (que, por acaso, nem era da área de gestão) disse qualquer coisa como "Enquanto líderes temos de nos focar sempre no que as pessoas têm de bom, sempre no lado positivo. Eu até posso ter uma pessoa na equipa que faz 95% das coisas mal, mas eu tenho de me focar nos 5% que a pessoa faz bem e motivá-la a partir daí". Ora, eu concordo muito com esta afirmação e acho que, verdadeiramente, isto deve ser ótimo para a promoção de equipas felizes. Felizmente tenho uma chefia que pensa muito assim e tenta gerir-nos segundo este princípio, mas quer dizer, nem sempre as coisas podem ser assim e o interessante, para mim, é perceber o papel do líder em situações de extrema pressão. Porque tenho a certeza que, numa situação extrema, nenhum líder consegue congratular pelos 5% bem executados, quando os restantes 95% estão mal, não obstante toda a pedagogia que possa estar envolvida. Mais do que palavras, creio que é importante partilhar situações concretas e o modo como reagimos, seja enquanto pessoas, seja enquanto RH. Eu gosto muito disto, da gestão de pessoas e feitios, apesar de reconhecer que (cada vez mais) ainda tenho tanto para aprender e muitas arestas para limar, e os momentos de partilha são cruciais, sejam mais ou menos condizentes com a literatura da área.

Essencialmente aprendemos a selecionar o que ouvimos, porque nem todas as empresas representadas são o mar de rosas que os oradores fazem parecer ser, mas se lhes soubermos retirar o floreado todo, há aprendizagens interessantes e bagagem para melhoria contínua dentro das nossas próprias organizações.

O debate sobre a multiplicidade de gerações no mercado de trabalho e desafios que isso acarreta continua a ser o tema da ordem do dia, assim como a atração e retenção do talento de uma geração que, como eu, procura colecionar experiências ou mesmo a dificuldade em atrair pessoas para a área dos sistemas da informação, áreas em que não só é muiiiiiito difícil atrair talento, como é ainda mais difícil cumprir quotas de género.

Mantenho-vos a par das minhas aprendizagens por este mundo!