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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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Devaneios sobre tudo e sobre nada.

30.Nov.18

E quando temos um amigo virtual aos 25 anos?!

Lembram-se de, com 14 anos, terem imeeeeensos amigos virtuais? Daqueles que não conheciam de lado absolutamente nenhum ou que eram amigos do amigo daquela nossa prima? Pessoas que nos surgiam na vida pelo hi5 ou pelo MSN, mas que, do nada, se tornavam grandes amigos? Lembram-se? Naquele tempo em que as mensagens ainda eram limitadas e a gente ficava tristíssima por, ali no final do mês, já não poder estar seeeeeeeeeeeeeempre a falar com eles? Se isto não vos é familiar vocês não tiveram adolescência gente! Eu lembro-me perfeitamente disto! Era tudo maravilhoso e espetacular, super amigos e mimimi, mas depois, quando nos encontrávamos pessoalmente, raras vezes a coisa corria bem, porque não nos sentíamos assim tão à vontade como acharíamos... Outras vezes não, a coisa corria super bem e juntavam-se ao nosso grupo de amigos. Tive alguns destes amigos "virtuais", uns durante mais tempo que outros, uns que passaram do domínio virtual para o pessoal e outros até que se tornaram um bocadinho mais que amigos. Mas tive, na altura em que é normal ter (acho eu). Não estava nada à espera que tal me voltasse a acontecer aos 25 anos.

Ora então, o Z. não era, propriamente, uma pessoa desconhecida. Andámos juntos na Faculdade e fizemos parte de uma mesma associação, mas só lá estivemos em simultâneo um fim-de-semana - o meu fim-de-semana de integração e o dele de despedida. Ou seja, nunca tínhamos falado. No entanto sempre fomos "amigos" virtuais, quer no Facebook, quer no Instagram - aqueles pessoas com quem já nos cruzamos em algum momento da vida e que fazem parte das nossas redes, sabem? Anyway, eu e o Z. fazíamos parte das redes um do outro, mas nunca falávamos ou comentávamos o que quer que fosse. Até que, no início deste ano, o Z. começou a ser presença assídua a responder aos meus stories no Instagram (vocês não sabem isto, mas eu faço stories muito engraçados) e começamos a falar, assim muito de vez em quando, sobre assuntos muito pouco sérios e sempre na base da ironia.

O Z., como pessoa incrível que é, apercebeu-se que eu não estava bem, ali em junho. Isto porque, vocês também não sabem, mas as minhas partilhas nas redes dimunuíram significativamente. A modos que o Z. partiu da abordagem brincalhona e irónica para uma abordagem mais preocupada, mais de amigo. E assim, aos bocadinhos, o Z. tornou-se uma das pessoas mais importantes nesta fase da minha vida, ajudou-me (e ajuda-me) a olhar as coisas de outro prisma, a melhorar... E eu sei (e ele também) que esta relação é muito mais benéfica para mim do que para ele, que só me ouve a "choramingar" sobre tudo e sobre nada. Já tivemos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente e foi mesmo como se fôssemos amigos há milhões de anos, o que me parece um bom auguro. O Z. abraçou agora um novo desafio profissional na Irlanda, o meu país do coração e eu não podia estar mais feliz por ele.

Há pessoas verdadeiramente incríveis que entram na nossa vida no momento certo e o Z. foi uma delas. Não foi da maneira tradicional, é verdade. Mas isto só nos relembra do quão incríveis podem ser as redes sociais. E afinal, ao contrário do que eu achava, os amigos virtuais não são (só) coisa de adolescentes. Em calhando a coisa até funciona melhor aos 25.