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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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09.Mar.18

Ainda sobre o dia da mulher

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Desengane-se quem acha que (já) não precisamos do Dia da Mulher. 

Eu não preciso e, como eu, muitas outras privilegiadas (espero!), mas é preciso relembrar que ainda há muitas mulheres que precisam. E precisam porque ainda lhes são vedadas oportunidades com base no género, não se deixem enganar.

Sempre me senti uma strong, independent woman (quer dizer, até precisar de abrir um frasco ou um garrada de vinho). Sempre fiz tudo o que quis fazer e vesti tudo o que quis vestir. Não me sinto, de nenhuma maneira, prejudicada por ser mulher.

Quando me mudei para o Porto, para estudar, ainda a cidade não era o que é agora. Sempre saí à noite quando bem me apeteceu e voltava para casa (quase) sempre a pé, sozinha. Nunca tive medo. Nunca senti necessidade de me proteger com chaves na mão ou gás-pimenta. Já viajei sozinha e nunca, em momento algum, senti medo por ser mulher. Não ganho menos do que os meus colegas homens e na organização em que trabalho as chefias são, maioritariamente, mulheres. E é por isso que digo, à boca cheia, que eu, individualmente, não preciso deste dia. E não preciso porque não me sinto inferior por ser mulher, nem nunca nenhuma oportunidade me foi negada. Mas não é por eu não precisar que o dia deixa de ser importante, que não deixa. 

Também não é por eu não precisar, e como eu tanta gente, que podemos desconsiderar e fazer deste dia um pretexto para promoções descabidas, para ofertas de produtos de maquilhagem ou para jantares vedados ao sexo masculino, certo?! É que estas coisas incomodam-me. Incomodam-me muito. O Dia da Mulher devia servir para nos lembrar, a TODOS, que ainda há muito a fazer, em Portugal e em todo o lado. Que é preciso lutar muito para que todas as mulheres tenham direitos fundamentais e possam ser donas de si. Que é preciso lutar muito para o que o destino não seja definido aquando do nascimento, com base no órgão sexual. É preciso lutar, lutar muito, em todos os campos - da educação, à economia, à política e, essencialmente, na mudança das perceções da própria sociedade. Não há limitações por ser mulher. Não há aqueles dias. Não há escolher entre o trabalho e a família. E se há alguma destas coisas, não devia.

E também não me venham com coisas de que The future is female porque espero bem que não seja, espero bem não ter que andar a lutar por isto a vida toda. Afinal de contas, o motto deveria ser THE FUTURE IS EQUAL ou sou eu que não percebo nada disto?