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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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29.Mar.18

A necessidade de rotular as pessoas

Hoje estava numa reunião com uma série de dirigentes da organização em que trabalho, até que uma recebe um telefonema de uma dessas empresas de telecomunicações e a tratam por D. X.. Ora, a pessoa lá respondeu e às tantas, quando desliga, diz "olha, agora afinal sou dona. Logo eu que tenho licenciatura pré-bolonha e que até sou equiparada aos mestres". A gargalhada foi geral pelo tom despretensioso com que foi dito. Mas eu fiquei a pensar naquilo.

Fiquei a pensar sobre os médicos quererem ser tratados por outra coisa qualquer que não Doutor porque agora toda a gente o é. E outra coisa que não percebo é esta confusão entre o Dr. (um licenciado) e o Doutor (um doutorado). Gente, os médicos não podem (de todo!) ser equiparados a um licenciado. Até aí, acho que concordamos todos.

Fiquei a pensar sobre o facto de eu, sempre que saio do edifício onde trabalho, e depois de me despedir ouvir um "Até amanhã Dra." depois de ter pedido mil vezes que me tratassem pelo nome. Fiquei a pensar sobre o facto de sempre que ligo a um engenheiro ou arquiteto e os trato como trato toda a gente, pelo nome, ser corrigida, que afinal é Engenheiro X ou Arquiteto Y. Fiquei a pensar sobre esta necessidade de rotularmos as pessoas. Sobre esta necessidade de nos afirmarmos, de certo modo? É mesmo necessário estabelecer esta barreira?

Não podemos simplesmente tratarmo-nos pelos nomes? O que é que interessa se é Dr., Mestre ou Doutor? Se se chama Ana é tratada por Ana, independentemente do grau. Claro que numa situação formal, em que a pessoa é oradora num evento ou alguma coisa equiparável, faz sentido contextualizar o porquê de aquela pessoa ser mais apta a falar sobre determinado assunto, seja pela experiência ou formação académica, mas fiquemo-nos por aí.

Isto até podia fazer sentido há umas gerações atrás, em que meia dúzia de pessoas ia para a faculdade, mas a verdade é que agora (quase) toda a gente é licenciada e não faz sentido andarmos aqui com títulos para trás e para a frente. Mas isto sou eu que sou Mestre e me continuam a tratar por Dra. e se calhar estou só ressabiada.*

 

*ironia gente, i-r-o-n-i-a.

2 comentários

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    looselips 29.03.2018 14:02

    Concordo plenamente!
    Acho que as pessoas não têm noção do quão parvo isto é. No meu trabalho lido com outras instituições internacionais em que TODA a gente é tratada pelo nome, não há cá prefixos e acho que é mesmo assim que deve ser.
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