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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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21.Mar.18

A importância do feedback na gestão de pessoas

A gestão de pessoas (ou gestão de recursos humanos, como preferirem) compila uma série de conceitos e princípios muito interessantes, sobretudo nas perspetivas mais contemporâneas, e inclui-se aqui o feedback. No entanto, como bem sabemos, nem sempre é possível estabelecer um período formal para dar ou receber feedback sem que seja na entrevista de avaliação do desempenho, que, na grande maioria das situações, ocorre com uma periodicidade de um ano.

Ora, a mim parece-me que trabalhar sem receber feedback de uma forma mais estruturada e consistente não é profícuo para nenhuma das partes - nem para nós, trabalhadores, nem para as nossas chefias. Isto porque é nestes momentos que podemos partilhar as nossas inquietações, que podemos definir oportunidades de melhoria, seja ao nível individual, seja ao nível do próprio procedimento, que podemos acompanhar o desenvolvimento dos objetivos inicialmente definidos (e, se necessário, ajustá-los) e que podemos, essencialmente, delinear um percurso, não necessariamente ao nível da progressão na carreira, mas ao nível dos projetos que queremos propor ou que queremos abraçar.

A modos que aqui a pessoa, apesar de trabalhar numa instituição com um sistema de avaliação de desempenho bienal, pediu uma reunião intercalar para poder fazer tudo isto de forma mais estruturada. É claro que isto é disruptivo, afinal de contas existe um sistema implementado e claramente definido... No entanto e dado que (felizmente) a minha chefia direta entende estas questões, depois de muitas dificuldades de agenda, lá consegui ter a minha reunião intercalar na passada sexta-feira. E só hoje, quarta-feira, é que me apercebi do bem que me tinha feito a reunião.

Reparem que eu trabalho numa instituição em que a média de idades ronda os 48 anos e, especificamente, na unidade em que trabalho toda a gente, sem exceção, tem idade para ser meu pai / mãe. Claro que isto gera mais dificuldades na gestão, uma vez que coexistem gerações muito diferentes, com motivações e objetivos muito diferentes e, essencialmente, competências diferentes. E é óbvio que eu, com 24 anos, quero daqui coisas muito diferentes dos meus colegas. Sou sincera, admiro muito as pessoas que conseguem fazer o mesmo a vida toda, mas eu não consigo. Comecei a desempenhar estas funções há quase três anos e sinto que já aprendi praticamente tudo o que podia aprender. Trabalho na área de desenvolvimento de pessoas e adoro, adoro a área de gestão de pessoas e é nisso que quero continuar a trabalhar, mas nos últimos tempos sinto que só varia a tipologia de projetos por que fico responsável, porque os procedimentos e as metodologias de organização são exatamente iguais. E, aparentemente, é uma coisa da minha geração, precisamos de ser constantemente desafiados, de fazer coisas diferentes e de aprender coisas diferentes. A modos que eu senti que estava a desmotivar, que precisava de algo novo e foi, essencialmente, por isso que pedi a reunião. E gente, o bem que me fez!

Hoje é quarta-feira e já vou notando algumas alterações que decorrem desta reunião. Se, desde logo, me sinto mais motivada (apesar de me continuar a custar horrores sair da cama às 05h30), também sinto menos ansiedade. Estamos a passar uma fase de mudanças organizacionais (muitas!) e com isso surge a incerteza (muita!) e a dificuldade em tomar decisões, o que condiciona todo o nosso trabalho. E eu estava a ser apanhada nesta avalanche... A modos que ao ter aquela hora de atenção por parte da minha chefia, ao ter a oportunidade de perceber o que estou a fazer bem e aquilo em que posso melhorar, ao apresentar sugestões de melhoria, senti entusiasmo como já não sentia há muito tempo. E trabalhar com entusiasmo é tudo.

Escrevo em pijama, depois de ter acordado às 05h30 e de ter trabalhado até às 18h30. Estou cansada física e psicologicamente, muito. Mas estou feliz, muito. Esta semana foi de loucos e as próximas serão também, mas sinto-me concretizada e, sobretudo, desafiada. Já me tinha esquecido do bom que isto é. E o que bastou uma reunião de feedback. Atenção que nem sempre ouvimos aquilo que queremos, temos é de saber tirar o melhor partido do que nos é dito e aprender. Aprender sempre.