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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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11.Jan.18

Sobre isto dos macacos, das camisolas e das polémicas

Vivemos numa sociedade indignada.

Pior, vivemos numa sociedade indignada com acesso a redes sociais e isto faz com que qualquer pequenina indignação escale exponencialmente, levando a que todos os dias surja uma nova polémica. A mais recente é sobre a campanha da H&M e a utilização de um miúdo negro para a promoção de uma camisola de uma coleção de selva com a mensagem Coolest Monkey in the Jungle estampada no peito. Para quem vive debaixo de uma pedra e ainda não ouviu falar sobre isto, aqui fica a imagem e um exemplo muito soft dos muitos comentários de indignação:

 

14c.jpg

Ora, posto isto, o que me apraz dizer sobre estas indignações? Completamente absurdas gente! Só isto! O preconceito está na cabeça de quem vê as coisas e fica indignado and that's that.

Nunca, em toda a minha vida, ouvi alguém chamar de macaco a outra pessoa com base na cor de pele. Nunca. Somente quando esta polémica surgiu é que me apercebi que, aparentemente, é um dos insultos mais utilizados para rebaixar os negros. Não entendo, não entendo mesmo.

Já vi esta imagem milhões de vezes e pensei muito antes de escrever este post, mas a verdade é que não vejo aqui racismo. Não consigo ver. E os pais do miúdo não viram, os criativos da H&M não viram (sim, não me venham dizer que isto foi premeditado porque não acredito, a H&M é uma das marcas de fast fashion com maiores políticas de responsabilidade social e isso pauta-se em todas as suas campanhas, não iriam seguir por esse caminho), a própria comunidade negra não viu. E, na verdade, os comentários de indignação surgiram de onde? Da comunidade branca/caucasiana (o que preferirem) que, mesmo tentando fazer parecer que não, é racista.

E isto, esta indignação por uma camisola, é tão racista como dizer pretinho. Gente, se não dizem branquinho porque é que dizer pretinho? Este inho é tão pejorativo que nem sei por onde começar. Se querem dizer preto digam preto, não digam pretinho. O mesmo com os gordos, ou é que é gordo ou é que não é, chamar a uma pessoa obesa gordinho é só parvo e condescendente, mas as pessoas sentem essa necessidade, para demonstrarem que não têm preconceito e que são inclusivas. Well, I got news for you: you're not!

Não consigo mesmo entender esta necessidade de querer defender uma causa que não existe, de querer ser ativista de sofá e mandar umas balelas nas redes sociais, só para mostrar que se preocupam e que lutam por uma sociedade justa, em que os pretinhos não são postos de parte. É pá, por favor! Se há racismo? Acredito que sim! Se isto é um exemplo disso? Definitivamente não!

Já quando a GAP fez uma publicidade à linha de pijamas para crianças, com um elevado pendor criativo e voltado para a brincadeira, houve todo um movimento por causa de uma miúda branca estar apoiada na cabeça de uma miúda negra. Que era tudo um bando de anormais, que claramente aquela imagem traduzia a subjugação de uma raça, séculos de discriminação perpetuados por uma raça que se crê superior e tuditudi. O que é que as pessoas se esqueceram de ver? Que havia uma série de imagens em que as posições se invertiam. O que é que foi dito sobre isso? Nada. Porque isso já não interessa. O que importa é que os pretinhos são coitadinhos e não podemos agora sujeitá-los a isto. E, novamente, quem é que se queixou? A comunidade branca/caucasiana.

E a comunidade negra não vê problemas em nada disto, não só porque não os há, mas porque tem problemas maiores com que se preocupar, como o #blacklivesmatter. Querem uma causa? Juntem-se a essa!

Se querem ser ativistas de sofá, tudo bem, mas sejam-no por causas que interessam verdadeiramente.

O racismo nesta imagem está na cabeça de quem o vê.

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