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Loose Lips

Devaneios sobre tudo e sobre nada.

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Devaneios sobre tudo e sobre nada.

15.Nov.17

#metoo

Não, este não é um post em que me junto a todas as estrelas do mundo do espetáculo para contar a minha experiência de assédio. Nunca aconteceu.

Não obstante, acho curiosa esta súbita avalanche de relatos de assérdio e/ou abuso. Atenção que não estou a desvalorizar estas questões, de todo. Só acho curioso que, neste tipo de questões, depois de haver uma brecha mínima toda a gente sinta a necessidade de pôr o bracinho no ar e dizer "eu também, eu também". Mas então se isso se passou em 1997 não acham que já podiam ter dito? Que podiam ter poupado esse sofrimento a outras pessoas ao denunciar? Não temos todos essa responsabilidade? Eu sei, eu sei. Agora podem-me dizer que o Weinstein é (ou era) uma pessoa muito influente e que ninguém agiu por medo das repercussões que isso pudesse ter tido na carreira. Mas não são influentes também a Angelina Jolie, embaixadora da ONU, ou a Gwyneth Paltrow?! Acharam mesmo que ninguém vos ia dar ouvidos se falassem?!

E depois vêm os relatos pormenorizados em toda a sua decadência, que ah e tal eu fui a uma entrevista no quarto de hotel dele e ele tentou isto ou aquilo. Desculpem lá, mas vocês achavam que iam para um quarto de um homem para fazerem o quê? Uma atriz de quem nunca ouviu falar, acabadinha de chegar a Hollywood e que é convidada ao quarto de um dos produtores mais influentes... Opá, achava que ia para o quarto dele trocar impressões do seu potencial papel na produção ou falar de trabalhos anteriores? Não me façam rir. Acharam mesmo, do alto da vossa ingenuidade, que aquele convite não trazia água no bico? A Sara Sampaio disse-o no WebSummit e disse muito bem: denunciem! Mas denunciem atempadamente. Façam o que estiver ao vosso alcance para que outras pessoas não caiam na esparrela. Não esperem que outros denunciem. Acreditem quando digo que isso vos tira alguma credibilidade.

E nem me façam questionar a veracidade de algumas destas acusações. É que é a vida das pessoas que é posta em causa, o seu bom nome, a sua idoneidade e a sua família. Eu não sei, mas tenho para mim que muitas das acusações a que temos assistido não têm fundamento e são só tentativas desespradas de tentar "aparecer". Espero mesmo estar enganada, porque com estas coisas não se brinca, mas é um feeling.

A este propósito, recomendo-vos (muito!) o filme dinamarquês Jagten, ou The Hunt, com o nosso queridinho Mads Mikkelsen sobre o poder da denúncia em casos deste tipo, fundamentada ou não.

Depois, claro, a nossa necessidade de criar um hashtag sempre que há alguma coisa. Primeiro foram os o #prayfor qualquer coisa, Portugal pelos incêndios ou França pelos atentados. Agora é o #metoo. Sou só eu que acho esta moda absurda? Assim como rezar não resolve nada, dizer "eu também" não é suficiente. Woman up e falem, usem as plataformas disponíveis, mas façam-no logo! E, sobretudo, questionem as propostas que vos fazem, porque ter uma reunião de trabalho num quarto de hotel não é normal e ainda que vocês não queiram passa a mensagem errada. É o chamado "pôr-se a jeito"...

E pronto gente, eu não posso dizer #metoo. Nunca aconteceu.E ao contrário da Cristina Nobre Soares não foi por não andar sozinha à noite, não foi por medir a roupa que usava, nem tão pouco foi por fingir que não percebia. Foi por acaso, um bom acaso. E isso não devia ser uma exceção, devia ser a regra.

No entretanto vamos criando hashtags e fingir que resolvemos problemas.